segunda-feira, 9 de abril de 2018

O QUE A BÍBLIA DIZ SOBRE ANJOS


Rev. Jocarli A. G. Junior - Pastor da IPB Tabuazeiro

Introdução:

Tendo em vista que vamos passar a eternidade com os anjos no céu, é útil aprender tudo o que pudermos a partir das Escrituras sobre os anjos. A Bíblia diz que os anjos são espíritos ministradores, enviados para servir os que hão de herdar a salvação (Hb 1.14). Deus ordena aos Seus anjos que cuidem dos Seus santos – mas não governam sobre eles ou recebam adoração.

Os anjos, como servos de Deus, interferem de tempos em tempos nos assuntos humanos, mas a forma como isso acontece, sabemos muito pouco. Na verdade, a Bíblia não revela tudo o que gostaríamos de saber sobre os anjos.

I. O que os anjos são?

O termo “anjo” (aggelos, em grego) significa “mensageiro”. O primeiro tipo de anjo mencionado na Bíblia são os querubins, que foram enviados por Deus para proteger a árvore da vida no Jardim do Éden (Gn 3.24).

A Escritura usa várias expressões para descrever os anjos. Eles são chamados de “seres celestiais” (Sl 89.6); “Filhos de Deus” (Jó 1.6; 2.1; 38.7); “Santos” (Sl 89.5); “estrelas da alva” (Jó 38.7), “príncipes” (Dn 10.13); e “principados e potestades” (Ef 3.10). Os anjos são seres criados. Eles não são semideuses. Eles não têm atributos da divindade, como a onisciência ou onipresença. O que os anjos são? Aqui está uma resposta de cinco partes:

• São seres criados

• São seres espirituais

• São seres pessoais

• São seres imortais

• São seres poderosos

A. Os anjos são seres criados por Deus.

Em Neemias 9, está escrito: “Só tu és SENHOR, tu fizeste o céu, o céu dos céus e todo o seu exército, a terra e tudo quanto nela há, os mares e tudo quanto há neles; e tu os preservas a todos com vida, e o exército dos céus te adora” (Ne 9.6). Isso indica claramente que Deus criou os anjos. Note que os anjos, como toda criatura, foram criados para adorar a Deus e não para receberem adoração (cf. Ap 19.10; 22.8-9; Sl 148.2-5; Cl 1.16-17).

B. Quando os anjos foram criados?

Quando Deus criou o universo, Ele também criou um grande número de criaturas angelicais. No livro de Jó, o Senhor pergunta: “Quando as estrelas da alva, juntas, alegremente cantavam, e rejubilavam todos os filhos de Deus?” (Jó 38.7). Observe que os anjos estavam lá para testemunhar a formação do nosso mundo.

Considerando que não há reprodução entre os anjos (Mt 22.30), eles foram criados de uma só vez durante o período de seis dias da criação de todas as coisas. Deus instantaneamente ordenou e um número incontável de criaturas veio à existência. Eles não se reproduzem, de modo que não podem aumentar em número. Eles não morrem, então, não há nenhuma diminuição (Lc 20.36).

É interessante que apenas dois anjos são mencionados na Bíblia, o arcanjo Miguel (Dn 10.13; 10.21; Dn 12.1; Jd 9 e Ap 12.7) e Gabriel (Dn 8.15; 9.21; Lc 1.19, 26), uma espécie de secretário celestial. Ele foi o único que anunciou a Maria que ela daria à luz a Jesus, o Messias (Lc 1.26-38).

C. Quantos anjos existem?

A Bíblia não contém nenhuma informação definida sobre o número dos anjos, mas mostra com muita clareza que constituem um poderoso exército. No nascimento de Jesus Cristo, apareceu “uma multidão da milícia celestial, louvando a Deus…” (Lc 2.13). Ao ser preso, o Senhor Jesus declarou ao apóstolo Pedro que se quisesse, poderia simplesmente orar ao Pai e imediatamente evocar doze legiões de anjos (Mt 26.53). Isso seria algo em torno de 72.000 anjos!

A Bíblia frequentemente compara o número de anjos a um exército e as estrelas no céu (1Rs 22.19; Dt 17.3; Jó 38.7). Os cientistas dizem que há milhares de milhões de estrelas no universo. Será que existe um grande número de anjos? Sim! Em Apocalipse, o apóstolo João escreveu: “Vi e ouvi uma voz de muitos anjos ao redor do trono, dos seres viventes e dos anciãos, cujo número era de milhões de milhões e milhares de milhares” (Ap 5.11). Isso é precisamente o que o autor de Hebreus declarou: “Mas tendes chegado ao monte Sião e à cidade do Deus vivo, a Jerusalém celestial, e a incontáveis hostes de anjos…” (Hb 12.22). Como as estrelas do céu e os grãos de areia na praia, o número de anjos é simplesmente incontável. Porém, Deus conhece o número exato.

Além disso, parece que os anjos estão organizados em diversos grupos. Por exemplo, a Bíblia fala dos querubins, serafins e dos seres viventes. A Bíblia também usa termos como “tronos”, “poderes” e “autoridades” para descrever a hierarquia dos anjos.

1. Os “Querubins”.

Os Querubins receberam a tarefa de guardar a entrada do Jardim do Éden (Gn 3.24). Além disso, a Bíblia nos diz que o próprio Deus está entronizado entre os querubins (Sl 18.10; Ez 10.1-22). Sobre a arca da aliança no Antigo Testamento havia duas figuras douradas de querubins com suas asas estendidas acima da arca (Êx 25.22; cf. v. 18-21).

2. Os “Serafins”.

Outro grupo de seres celestiais, os Serafins, é mencionado somente em Isaías 6.2-7, onde continuamente adoram ao Senhor dizendo: “Santo, santo, santo é O SENHOR dos Exércitos, a terra inteira está cheia da sua glória” (Is 6.3).

3. Os seres viventes.

Tanto Ezequiel quanto Apocalipse descrevem outras espécies de seres celestiais conhecidos por “seres viventes” ao redor do trono de Deus (Ez 1.5-14; Ap 4.6-8). Parecidos com um leão, um boi, um homem e uma águia, são os representantes mais poderosos das várias partes da totalidade da criação de Deus (animais selvagens, animais domesticados, seres humanos e pássaros) e adoram a Deus continuamente: “Santo, santo, santo é o Senhor, o Deus todo-poderoso, que era, que é e que há de vir” (Ap 4.8).

D. Qual é a aparência dos anjos?

Os anjos são seres com intelecto, sentimentos e vontade. Eles possuem personalidade. Por exemplo, em Ezequiel 28, que descreve a queda do querubim ungido, Deus declara: “Tu és o sinete da perfeição, cheio de sabedoria e formosura” (Ez 28.12). Evidentemente, o arcanjo que caiu do céu e se tornou Satanás era o mais inteligente de todas as criaturas de Deus.

Os anjos são quase sempre descritos na Escritura como seres altamente inteligentes. Em Mateus 28, quando Maria Madalena e a outra Maria encontraram o túmulo de Jesus vazio na manhã da ressurreição, o anjo disse às mulheres: “Não temais; porque sei que buscais Jesus, que foi crucificado” (Mt 28.5). Os anjos se comunicam. Eles sabem conversar. Eles, obviamente, são criaturas que possuem intelecto.

No entanto, os anjos não são oniscientes. O apóstolo Pedro declarou que os anjos desejam entender o amor de Cristo pela igreja (1Pe 1.12). Portanto, existem algumas coisas que eles não entendem. Mas, o desejo de saber mais prova que eles são seres inteligentes.

Os anjos também expressam emoção. O Senhor Jesus declarou: “Eu vos afirmo que, de igual modo, há júbilo diante dos anjos de Deus por um pecador que se arrepende” (Lc 15.10). Certamente, a alegria de Deus sobre a salvação de seus eleitos é também compartilhada pelos anjos.

Além disso, os anjos são muitas vezes mencionados adorando ao redor do trono de Deus. O profeta Isaías escreveu sobre a adoração angelical ao redor do trono de Deus: “No ano da morte do rei Uzias, eu vi o Senhor assentado sobre um alto e sublime trono, e as abas de suas vestes enchiam o templo. Serafins estavam por cima dele; cada um tinha seis asas: com duas cobria o rosto, com duas cobria os seus pés e com duas voava. E clamavam uns para os outros, dizendo: Santo, santo, santo é o SENHOR dos Exércitos; toda a terra está cheia da sua glória” (Is 6.1–3).

A descrição de Isaías deixa claro que os anjos não são meras máquinas, ou animais, mas ao mesmo tempo altamente inteligentes e capazes das emoções mais profundas associadas com o mais alto tipo de adoração.  Entretanto, quando Cristo se tornou homem, a Escritura diz que Ele foi feito “… por um pouco, menor que os anjos…” (Hb 2.7). Então, os anjos ocupam um estado mais elevado do que os seres humanos, pelo menos por enquanto. Algum dia a humanidade redimida julgará os anjos, e isto pode implicar que nós também reinaremos sobre eles no céu. Paulo escreveu: “Não sabeis que havemos de julgar os próprios anjos? Quanto mais as coisas desta vida!” (1Co 6.3). Jesus prometeu as igrejas da Ásia Menor, “Ao vencedor, dar-lhe-ei sentar-se comigo no meu trono, assim como também eu venci e me sentei com meu Pai no seu trono” (Ap 3.21). Compartilhar do trono de Cristo pode implicar que teremos domínio sobre os anjos. Se assim for, este é um conceito surpreendente!

II. O que a Bíblia diz sobre anjos da guarda?

Embora a expressão “anjo da guarda” não ocorre na Bíblia, muitas pessoas acreditam que cada indivíduo recebe um “anjo da guarda” no dia do nascimento ou no dia do batismo. Porém, a Bíblia não diz nada sobre isso.

Uma das passagens bíblicas mais conhecidas para defender esta interpretação está registrada no Salmo 34: “O anjo do SENHOR acampa-se ao redor dos que o temem e os livra” (Sl 34.7). Outra passagem encontra-se no Evangelho de Mateus, quando o Senhor Jesus, falando acerca dos pequeninos, declarou: “Vede, não desprezeis a qualquer destes pequeninos; porque eu vos afirmo que os seus anjos nos céus vêem incessantemente a face de meu Pai celeste” (Mt 18.10). Porém, essas passagens não provam nada. Essas passagens não ensinam que cada crente ou criança tem seu próprio “anjo da guarda”, mas, simplesmente expressam o cuidado geral de Deus por Seu povo através dos anjos. Uma interpretação provável para expressão “seus anjos nos céus” é que eles estão prontos para a ação por ordem de Deus.

Sabemos que os anjos são “espíritos ministradores” enviados para servir os cristãos (Hb 1.14). Mas se cada pessoa possuiu um anjo da guarda, a Bíblia não diz nada especificamente. João Calvino acertadamente declarou: “Sim, nós temos anjos da guarda, mas não apenas um de cada!”. A Bíblia fala de um “exército celestial” – Todos os anjos que velam pelo povo de Deus. Assim, neste exato momento, há um pelotão de forças angelicais cuidando de sua vida.

Assim, a noção popular de um anjo da guarda para cada crente não tem base Bíblica. Ao invés disso, a Escritura afirma uma verdade ainda mais preciosa: o cuidado de um crente não é a tarefa de apenas um anjo; todo o exército angelical, em consenso, cuida de cada crente e de sua salvação (Gn 32.1-2; 2Rs 6.17; Lc 15.10; 16.22).

III. Quando os anjos caíram?

Além dos anjos bons, há também os maus, cujo prazer está em opor-se a Deus e combater Sua obra. Há duas passagens na Escritura que implicam claramente que alguns anjos não mantiveram a sua condição original, mas caíram do estado em que foram criados (2Pe 2.4 e Jd 6).

Satanás aspirava usurpar o trono de Deus, e como resultado foi expulso do céu. Satanás parece ser o alvo real de duas mensagens endereçadas aos governantes terrenos. Esses governantes são tão maus que podemos supor que foram habitados pelo maligno. Assim, as mensagens dirigidas aos reis maléficos parecem realmente ser destinadas a Satanás. Por exemplo, as palavras de Isaías 14.12-15, embora dirigidas ao rei da Babilônia, realmente se referem a Satanás, dirigindo-se a ele como “Lúcifer” (literalmente, “Estrela da Manhã”): “Como caíste do céu, ó estrela da manhã, filho da alva! Como foste lançado por terra, tu que debilitavas as nações! Tu dizias no teu coração: Eu subirei ao céu; acima das estrelas de Deus exaltarei o meu trono e no monte da congregação me assentarei, nas extremidades do Norte; subirei acima das mais altas nuvens e serei semelhante ao Altíssimo. Contudo, serás precipitado para o reino dos mortos, no mais profundo do abismo” (Is 14.12–15).

Ezequiel 28 inclui uma mensagem ao rei de Tiro que claramente vai além do próprio rei e se aplica a Satanás, que, certamente, habitava nele. Sabemos disso, porque alude ao engano de Eva no Jardim:
“Filho do homem, levanta uma lamentação contra o rei de Tiro e dize-lhe: Assim diz o SENHOR Deus: Tu és o sinete da perfeição, cheio de sabedoria e formosura. Estavas no Éden, jardim de Deus; de todas as pedras preciosas te cobrias: o sárdio, o topázio, o diamante, o berilo, o ônix, o jaspe, a safira, o carbúnculo e a esmeralda; de ouro se te fizeram os engastes e os ornamentos; no dia em que foste criado, foram eles preparados. Tu eras querubim da guarda ungido, e te estabeleci; permanecias no monte santo de Deus, no brilho das pedras andavas. Perfeito eras nos teus caminhos, desde o dia em que foste criado até que se achou iniqüidade em ti. Na multiplicação do teu comércio, se encheu o teu interior de violência, e pecaste; pelo que te lançarei, profanado, fora do monte de Deus e te farei perecer, ó querubim da guarda, em meio ao brilho das pedras” (Ez 28.12–16).

Quando Lúcifer caiu, ele levou um terço dos anjos (Ap 12.3-4). Esses anjos caídos não são nada além de seres demoníacos, alguns dos quais ainda estão perturbando a Terra até o dia de hoje – e continuarão a fazê-lo até que sejam destruídos pela mão do julgamento de Deus (Ap 20.10).
Por outro lado, os anjos bons são chamados “anjos eleitos” (1Tm 5.21). Estes evidentemente receberam, além da graça de que foram dotados todos os anjos, uma graça especial, de perseverança, pela qual foram confirmados em sua condição. A teologia protestante em geral contentou-se em saber que os anjos bons conservaram o seu estado original, foram confirmados em sua condição, e agora são incapazes de pecar. São chamados não somente santos anjos, mas também anjos de luz (2Co 11.14). Além disso, os anjos bons sempre contemplam a face de Deus (Mt 18.10).

IV. O que os anjos fazem?

A vida e o mundo dos anjos são tão ativos e tão complexos quanto o nosso. Eles habitam em outra dimensão, mas nossos mundos se cruzam com frequência, e pelo menos parte do seu trabalho está relacionada aos assuntos deste mundo. O autor de Hebreus chama-os de “espíritos ministradores, enviados para serviço a favor dos que hão de herdar a salvação” (Hb 1.14). Isto sugere que os deveres angelicais são variados de acordo com a classificação.

É interessante que sempre que a Escritura descreve qualquer aparência angelical, o anjo sempre aparece como um homem. Os pronomes masculinos são invariavelmente usados para se referir a eles. Por exemplo, em Gênesis 18-19, quando os anjos visitaram Abraão e fizeram uma visita a Sodoma, eles eram completamente humanos na aparência. Eles se sentaram, conversaram e tomaram uma refeição com Abraão. Cada detalhe de sua forma visível revela sua aparência humana.

Outras vezes os anjos aparecem como homens, mas com qualidades extraordinárias, até sobrenaturais. Em Mateus 28, por exemplo, o anjo que apareceu no túmulo vazio de Jesus não era um homem de aparência normal: “O seu aspecto era como um relâmpago, e a sua veste, alva como a neve” (Mt 28.3).

Aparições bíblicas dos anjos – ao contrário da tradição popular – muitas vezes causam trauma e grande medo. Quando um anjo apareceu a Maria e a cumprimentou, “Ela perturbou-se muito e pôs-se a pensar no que significaria esta saudação” (Lc 1.29). Quando outro anjo apareceu aos pastores que assistiram ao Seu nascimento, “eles ficaram tomados de grande temor” (Lc 2.9). Quando os soldados romanos que guardavam o túmulo de Jesus viram o anjo que havia removido a pedra do sepulcro, eles “tremeram espavoridos e ficaram como se estivessem mortos” (Mt 28.4).

Finalmente, como vimos, os anjos ministram constantemente ao redor do trono de Deus, na adoração. Como veremos, a adoração é claramente uma de suas principais funções (Is 6.3, Ap 4.6-9, 5.9-12).

V. Quem é o anjo do SENHOR?

A expressão “o anjo do Senhor” aparece mais de cinquenta vezes no Antigo Testamento. Um estudo cuidadoso dessas passagens sugere que este não era um anjo comum, mas uma Teofania, ou melhor, um Cristofania, uma aparição de Cristo pré-encarnado.

O Anjo do Senhor reivindica uma autoridade divina. Ele fala como Deus e jura por Si mesmo para o cumprimento da Sua aliança (Gn 16.10; 22.15-16).

O Anjo do Senhor exibe atributos divinos e realiza ações divinas. Ele possui o conhecimento que apenas Deus possui (Gn 16.7-8, 11, 13). Ele julga e redime como Deus (Gn 48.15-16; Jz 5.23; 2Sm 24.14-17; 2Rs 19.35).

O Anjo do Senhor recebe adoração divina. Ele é tratado como o próprio Deus, recebendo reverência e sacrifícios direcionados à Sua Pessoa (Êx 23.20-21; Jz 6.20-21,24). Nenhum anjo comum aceitaria a adoração de um homem (Ap 19.10).

O Anjo do Senhor é identificado explicitamente como Deus. É dito claramente que Ele é o Senhor (Gn 16.13; 22.12,15-18; 31.11-13; 48.15-16; Êx 14.19; 23.21; Jz 6.11-23; 13.19-22; Is 42.8).


O Anjo do Senhor é uma Pessoa divina distinta. Ele é evidentemente divino e ainda cuidadosamente distinguido do Senhor (Gn 24.7,40; 32.24-30; Êx 3.2-5; 23.20; Nm 20.16; Js 5.14-15; Jz 2.1; 6.11-24; 13.2-24; 2Sm 24.16; Is 63.9; Zc 1.12-13).

Que o “Anjo do Senhor” é uma Cristofania é sugerido pelo fato de que a referência ao “Anjo do Senhor” cessa depois da encarnação. O Anjo do Senhor deve ser identificado como a segunda Pessoa da Trindade, porque Ele é o enviado que aparece em forma humana. Ele não pode ser o Pai, que é Enviador. Ele não pode ser o Espírito Santo, que não tem forma. Mais ainda, o divino Anjo do Senhor não apareceu mais depois que o Filho de Deus veio em forma humana, na Sua encarnação. As referências a “um anjo do Senhor” em Lucas 1.11 e Atos 5.19 falta o artigo grego, o que sugere um anjo comum.

VI. Como nos relacionaremos com os anjos no céu?

A Escritura indica que no céu nos uniremos aos anjos para adorar a Deus ao redor do Seu trono. Apocalipse 4 descreve a primeira cena que João testemunhou em sua visão do céu: “Ao redor do trono, há também vinte e quatro tronos, e assentados neles, vinte e quatro anciãos vestidos de branco, em cujas cabeças estão coroas de ouro” (Ap 4.4). Os anciãos representam a igreja. O fato de haver lugares permanentes para eles indica que o povo redimido de Deus perpetuamente adorará ali ao lado dos anjos. João continua descrevendo as criaturas celestiais que adoram sem parar ao redor do trono de Deus e acrescenta no versículo 8: “E os quatro seres viventes, tendo cada um deles, respectivamente, seis asas, estão cheios de olhos, ao redor e por dentro; não têm descanso, nem de dia nem de noite, proclamando: Santo, Santo, Santo é o Senhor Deus, o Todo-Poderoso, aquele que era, que é e que há de vir” (Ap 4.8). Os quatro seres viventes oferecem a mais pura e perfeita adoração durante todo o tempo, exatamente como Isaías descreveu em sua visão (Is 6.3).

Apocalipse 5.8-12 retrata uma cena semelhante, com milhares de milhares de vozes cantando a dignidade de Deus e do Cordeiro. Observe: “E, quando tomou o livro, os quatro seres viventes e os vinte e quatro anciãos prostraram-se diante do Cordeiro, tendo cada um deles uma harpa e taças de ouro cheias de incenso, que são as orações dos santos, e entoavam novo cântico, dizendo: Digno és de tomar o livro e de abrir-lhe os selos, porque foste morto e com o teu sangue compraste para Deus os que procedem de toda tribo, língua, povo e nação e para o nosso Deus os constituíste reino e sacerdotes; e reinarão sobre a terra. Vi e ouvi uma voz de muitos anjos ao redor do trono, dos seres viventes e dos anciãos, cujo número era de milhões de milhões e milhares de milhares, proclamando em grande voz: Digno é o Cordeiro que foi morto de receber o poder, e riqueza, e sabedoria, e força, e honra, e glória, e louvor” (Ap 5.8–12).

Esta é a canção do céu. Mal posso esperar para ouvir. Eu não posso esperar para cantar com uma voz glorificada e ser parte do grande coro dos redimidos, com todo o exército do céu. Imediatamente, quando ouvirmos esse som, todos os problemas da terra se tornarão insignificantes. Todos os nossos trabalhos terão terminado, todas as nossas lágrimas cessarão, e não haverá mais nada a não ser a pura felicidade do céu e a alegria de estar na presença de Deus – para sempre.

Conclusão:

A Escritura ensina que anjos ministram aos santos (Hb 1.14), e que algumas pessoas “hospedaram anjos sem saber” (Hb 13.2). E por essa mesma razão, somos instruídos a mostrar bondade e hospitalidade aos estranhos. Mas a Escritura indica que estes incidentes são raros, e a chave para entender este versículo é a frase “sem saber”. É certamente possível, de acordo com as Escrituras, que você possa ser anfitrião de um anjo. Mas com toda a probabilidade, se isso ocorrer, ocorrerá sem que você o saiba. Em nenhum lugar nas Escrituras somos encorajados a procurar evidências de anjos na vida cotidiana. Além disso, Paulo adverte os crentes a não se tornarem adoradores de anjos (Cl 2.18).

“As coisas encobertas pertencem ao SENHOR, nosso Deus, porém as reveladas nos pertencem, a nós e a nossos filhos, para sempre…” (Dt 29.29).


segunda-feira, 2 de abril de 2018

A IPB CONCORDA COM OS DIZIMOS, QUEM FAZ PARTE DELA PODE VIVER FALANDO CONTRA?

Graça e paz!

     Temos visto alguns presbiterianos, sejam eles ministros ou membros, falando contra a devolução dos dízimos e ofertas, mas será que é o pensamento da denominação? Vejamos este trecho retirado do Digesto Presbiteriano Online no ICalvinus:

Art. 41 São bens da Igreja: ofertas, dízimos, doações, legados, bens móveis, semoventes ou imóveis, títulos, apólices e quaisquer outras rendas e recursos permitidas por lei. Parágrafo único. Os rendimentos serão aplicados exclusivamente na manutenção dos serviços religiosos e no que for necessário ao cumprimento dos fins da Igreja.  Art. 42 As fontes de recursos para manutenção da Igreja são dízimos, ofertas, doações, contribuições, legados e quaisquer outras permitidas em lei. Art. (CAPITULO VII – BENS E FONTES DE RECURSOS PARA MANUTENÇÃO DA IGREJA. Extraído de: http://se.icalvinus.net/icalvinus.php?d=1522664852330)

     Analisando os artigos expostos acima percebe-se que estes ministros estão sendo desobedientes à sua denominação, a qual fizeram juras de amor e compromisso quando foram batizados e/ou ordenados ministros, para que de fato eles possam defender a não devolução do dízimo e agirem como homens de verdade, deveriam se desligar da denominação. Pois, agindo contrários aos votos feitos, estão sendo hipócritas.

Missº Veronilton Paz da Silva

quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

A PORNOGRAFIA É REALMENTE UM PROBLEMA FEMININO?

Recentemente, estava ouvindo um debate de rádio cujo foco estava nas mudanças de legislação propostas no Reino Unido para uso da Internet. A premissa basicamente é que, quando se conecta a um servidor, o usuário doméstico é perguntado se deseja ou não acessar pornografia. Uma simples resposta “sim” ou “não” é requerida. Isso causou clamor porque, aparentemente, seria muito desconfortável para as famílias discutirem juntas e as pessoas podem ter que ser honestas com seu cônjuge! Além disso, uma das principais pressuposições, e que logo foi dissipada pelo número de chamadas, era que a pornografia não era (em grande parte) uma questão feminina. Sempre me surpreende que quando se trata de um assunto como pornografia, abuso infantil e violência doméstica há muitos que diriam que “esses não são problemas femininos!”. As mulheres são mais frequentemente aceitas como as vítimas e raramente como autoras quando esses tópicos são discutidos.
A pornografia está se tornando cada vez mais uma questão feminina. É um assunto que não é exatamente um tabu, mas seriamente difícil de ser falado particularmente nos círculos cristãos entre a população feminina. Muitas mulheres lutam contra esse pecado secreto nunca revelando sua(s) batalha(s) a qualquer pessoa. Felizmente, o tema das mulheres e a pornografia começou a receber alguma notoriedade recentemente. De modo preocupante, alguns comentaristas têm sugerido que, para as mulheres, esse tipo de luxúria difere em relação aos homens, já que é mais uma luxúria pela imagem corporal perfeita do que qualquer tentação sexual explícita. Eu não sei se essa sugestão é apoiada pelo desconforto que muitas mulheres sentem pensando sobre sexo e pornografia como uma questão para “nós”, mas isso não soa verdadeiro na minha experiência pessoal e pastoral sobre essa questão.
Em 1 João 2.15-17 somos exortados: “Não ameis o mundo nem as coisas que há no mundo. Se alguém amar o mundo, o amor do Pai não está nele; porque tudo que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não procede do Pai, mas procede do mundo. Ora, o mundo passa, bem como a sua concupiscência; aquele, porém, que faz a vontade de Deus permanece eternamente”.
Quando as mulheres assistem à pornografia, elas parecem tão cheias de luxúria quanto um homem. Na verdade, a maioria das mulheres que eu aconselho estão vendo pornografia do mesmo sexo com frequência alarmante. Mark Driscoll, em seu e-book Porn-Again Christian, embora escrito principalmente para homens, é muito útil para as mulheres, porque ele sugere que a principal razão para a pornografia é incentivar a masturbação. Eu preciso concordar. Quando questionadas sobre isso, muitas mulheres confessam que, em primeiro lugar, as imagens são usadas para aumentar o prazer de si mesmas. Esse véu de segredo em torno das mulheres e da pornografia resulta em pobreza espiritual, fraca imagem corporal (orgulho), uma visão falsa do amor (uma enorme questão pastoral moderna) e nem chega perto de aliviar a solidão que muitas mulheres (solteiras e casadas) sentem. É uma mentira do abismo do inferno que esse prazer em si mesma satisfará quando sabemos que ele é de curta duração e faz com que nos sintamos sujas, culpadas e envergonhadas.
Muitas mulheres estão lutando em segredo, envergonhadas para contar a alguém, em grande parte por medo da recriminação. Muitas estão presas em um padrão cíclico que não podem e (muitas vezes) não querem romper. No entanto, precisamos confessar os nossos pecados uns aos outros e orar uns pelos outros, para que sejamos curados (Tiago 5.16). Devemos ter alguma boa prestação de contas, porque matar o pecado sexual começa com a exposição e termina com não ser mais escravizado (Romanos 6.6). Claro, a exposição é dolorosa, mas é melhor ouvir “Muito bom, servo bom e fiel” do que “Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade”. Se a pornografia em sua vida não for tratada rapidamente, então, meninas, posso lhes assegurar que isso será algo contra o que lutarão por toda a sua vida e que contaminará todos os seus relacionamentos.

Então, como uma mulher que luta contra a pornografia pode lidar com isso e como nós, como uma igreja, podemos ajudá-la?

1. Boa prestação de contas

Esse não é um assunto sobre o qual você pode abrir uma classe e esperar que 25 mulheres participem. Eu ficaria surpresa se essa estratégia funcionasse em algum lugar. Contudo, isso é algo que pode ser resolvido com uma boa prestação de contas pessoal (ou em um pequeno grupo). Essa prestação de contas envolverá perguntas difíceis que ninguém realmente deseja responder (e que muitas vezes nos fazem sofrer). Como mulheres que lideram a sessão de prestação de contas, precisamos amar tanto as mulheres com quem nos preocupamos de modo que façamos as perguntas que ficamos mais embaraçadas para discutir. As mulheres que estão lutando com a pornografia precisam acordar e apreciar o que realmente é bom. Isso não é algo que você pode continuar escondendo. Precisamos encorajar umas às outras a levar nossos pecados à luz e confessá-los a Deus e umas às outras. Encontre alguém em quem possa realmente confiar, que seja um exemplo bom e piedoso, e compartilhe a verdade. Você não se arrependerá. 

2. Arrependa-se

Deus é fiel, justo e nos purificará de toda iniquidade (1 João 1.9). Há uma enorme diferença entre uma mulher que está se envolvendo/experimentando e uma que está realmente lutando contra a pornografia. Devemos ver o Espírito Santo nutrindo o desejo de parar de pecar. Não se engane com palavras vagas e mentiras. A pornografia é idolatria e deve haver arrependimento dela. Em Efésios 5.3-6, Paulo lembra à igreja: “Mas a impudicícia e toda sorte de impurezas ou cobiça nem sequer se nomeiem entre vós, como convém a santos… Sabei, pois, isto: nenhum incontinente, ou impuro, ou avarento, que é idólatra, tem herança no reino de Cristo e de Deus. Ninguém vos engane com palavras vãs; porque, por essas coisas, vem a ira de Deus sobre os filhos da desobediência”.

3. Peça a Deus que a ajude

“Apressa-te em socorrer-me, Senhor, salvação minha!” (Salmo 38.22). Não estamos abandonados em nossa incapacidade. Podemos encontrar liberdade e força na cruz de Cristo. Não estamos sozinhos e Deus nos ajudará a permanecermos firmes se o buscarmos e clamarmos a ele. Muitos de nós não temos simplesmente porque não pedimos. Escondemo-nos e fingimos que o problema não é tão ruim ou que ele simplesmente desaparecerá por conta própria. Não desaparecerá. Precisamos uns dos outros, precisamos de arrependimento profundo e precisamos pedir a Deus que nos cure e nos purifique enquanto lutamos contra a pornografia.
Que Deus nos ajude.

Sharon é a Diretora de Operações e líder do ministério com mulheres no 20schemes. Ela tem mais de 26 anos de experiência trabalhando na comunidade principalmente com famílias e pessoas que estiveram ou estão em risco de ficarem desabrigadas.

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Reflexão - Maná Diário

Mateus 6.9-10
“9 Portanto, vós orareis assim: Pai nosso que está nos céus, santificado seja o teu nome; 10 venha o teu reino; faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu”.

A vontade de Deus para nós

Uma pergunta que nos é feita é: Como saber a vontade de Deus para a nossa vida? Como identifica-la? A verdade é que a pergunta não deveria ser esta, mas a seguinte: Será que estou disposto a me submeter à vontade de Deus? Estes versículos escolhidos fazem parte da oração modelo que Cristo ensinou e nós chamamos de “Pai nosso”, nesta parte da oração Jesus ensina que devemos desejar o cumprimento da vontade do Pai em nós, da mesma forma como é feita no céu. Iremos aqui aprender algumas verdades sobre a vontade de Deus para nossas vidas, que você pode conferir a seguir.

Primeira, a fonte do conhecimento da vontade de Deus para as nossas vidas. Quando queremos conhecer a vontade de Deus não existem formulas mágicas ou mirabolantes, de maneira simples devemos e podemos saber qual a vontade de Deus para as nossas vidas, para isto precisamos usar as fontes que Deus nos forneceu, selecionamos algumas, tais como:

A) As Escrituras Sagradas: Leia a Bíblia, pois ela é inspirada por Deus, útil para nos repreender, corrigir, educar na justiça e nos deixar aptos para realizar toda a boa obra (II Tm 3.16), assim sendo, quando você ler a Palavra de Deus deve saber revela a vontade de Deus para a sua vida.

B) Vida de oração: É impossível que você tenha comunhão com Deus e sem as Escrituras, mas outra fonte importante é a oração, pois Deus fala conosco pelas Escrituras, mas nós falamos com Ele pela oração, portanto, não podemos compreender a vontade de Deus para nós nas Escrituras, sem uma vida de oração, a oração é o combustível da vida cristã, Jesus orou para que fosse feita a vontade do Pai e não a Dele (Lc 22.41-42), o crente que ora sabe discernir entre a voz de Deus e as propostas do inimigo, quando o crente ora de maneira bíblica ele experimenta a vontade de Deus, mas além de ler a Bíblia e orar, Deus também nos demonstra a sua vontade por meio das circunstancias, vamos observar isto a seguir.

C) As circunstancias experimentadas: O apostolo Paulo percorreu a região frígio-gálata, mas Deus não permitiu, uma circunstancia de uma visão, na qual Paulo viu um varão macedônio pedindo ajuda, ele foi pregar o evangelho ali (At 16.6-10), queridos, saibam que as circunstancias que você passa, pode ser uma visão espiritual, pode ser uma dor, um não de Deus, apresentam a sua vontade para nossas vidas. Você tem buscado conhecer a vontade de Deus? Leia a Bíblia, ore e observe as circunstancias para a gloria de Deus, mas, além disso, existem algumas características que a vontade de Deus se apresenta pra nós, observaremos isto nas próximas linhas.

Segunda, as características da vontade de Deus para as nossas vidas: A vontade do Senhor para nós possui identificações, anotamos algumas:

A) Ela é boa, perfeita e agradável: Paulo falou isso quando tratava a nova vida do cristão relatando que quando experimentamos a vontade do Senhor percebemos justamente que ela é boa, perfeita e agradável (Rm 12.2), José também teve a experiência de experimentar os propósitos perfeitos de Deus na sua vida, pois as circunstancias pareciam contrárias, mas Deus lhe mostrou por trás das circunstancias carrancudas que lhe aconteceram, estava a mão de Deus o guiando (Gn 50.19-21), assim também acontece conosco.

B) Ela é mais alta do que nossa mente possa compreender: A vontade de Deus pode ser identificada pelos seus servos, mas nem sempre compreendida, Jó fez muitas perguntas a Deus, mas Deus não respondeu nenhuma das suas perguntas, pelo contrario, fez cerca de setenta perguntas a ele, o servo de Deus chegou à conclusão que os planos do Senhor não podem ser frustrados (Jo 42.2), a vontade de Deus foi feita na vida de Jó, mas não foi plenamente compreendida, Deus promete restauração, nem sempre explicação. O profeta Isaias declara essa dificuldade nossa de compreender de maneira exaustiva ao Senhor, pois os pensamentos e caminhos são mais altos do que os nossos (Is 55.8-9), não poderíamos com a nossa mente finita entender a mente infinita de Deus, pois o universo que nos parece infinito, Ele mede a palmos, pesa os montes da terra em romana e os outeiros em balança de precisão, as nações são como um pingo de agua dentro de um balde, os moradores são como gafanhotos, reduz os príncipes a nada e com um sopro da sua boca os extermina, conta as estrelas todas e as chama pelo nome, por Ele ser grande em força forte em poder, quando as chama, nenhuma vem a faltar, por isso o seu entendimento não se pode esquadrinhar (Is 40.12-31). Por isso mesmo que você não entenda, glorifica a Deus por sua vontade na sua vida, saiba que você não precisa entender, precisa confiar Nele.

C) Ela tem em Jesus seu fiel cumprimento: Todas as promessas, a vontade e os propósitos de Deus possuem o seu cumprimento pleno em Jesus (II Co 1.20), se precisa está dentro da vontade de Deus precisa estar em Cristo, pois o Pai somente se agrada do Filho (Mt 3.17), se você deseja que Deus se agrade da sua vida, precisa se entregar a Cristo como o seu Senhor e salvador, buscar andar na presença do Senhor Jesus. A vontade de Deus além de ter uma fonte de conhecimento e características que a identificam, também traz resultados para as nossas vidas, observaremos isto a seguir.

Terceira, o resultado da vontade de Deus. A vontade de Deus traz resultados para o seu povo, estes resultados estão identificados nas Escrituras, tal como:

A) Resulta em salvação para o povo de Deus: O Senhor Jesus declarou que veio aqui realizar a vontade de Deus de salvar o seu povo, por isso Cristo não perderia nenhum daqueles que o Pai lhe deu (Jo 6.38-39), por isso que Jesus disse que ele deu a vida eterna aos seus e eles nunca se perderiam (Jo 10.28), por isso que Deus preserva os salvos e os apresentará um dia na gloria (Jd v.24). A teologia reformada apresenta a salvação como um ato de Deus do começo ao fim, pois Deus não apenas tocou no pecador para que este vá a Cristo, Ele mesmo traz o salvo até Cristo (Jo 6.44), aperfeiçoou para sempre os que estão sendo santificados (Hb 10.14), receberá os salvos na glória (Sl 73.24), A salvação foi planejada na eternidade, executada na história e será culminada na glória.

B. Resulta no bem do povo de Deus: Toda a vontade de Deus visa o nosso bem, não apenas as coisas, as próprias lutas, aflições e agruras, servem para o nosso bem, por isso que Paulo afirmou que todas as coisas cooperam para o nosso bem (Rm 8.28), Paulo e barnabé se desentenderam (), embora Deus não concorde com o seu desentendimento, mas isto não anulou o proposito de Deus que foi expandir o evangelho. Paulo adoeceu e precisou passar um tempo na Galácia, este doença serviu para que ele pregasse o evangelho ali, saiba que a doença não é uma coisa boa, mas Deus na sua soberania usa uma doença para que o seu evangelho seja pregado (Gl 4.13), a doença de Paulo resultou no bem da Galácia que pode conhecer mais de perto o evangelho. Nós não cremos em sorte, azar, coincidência ou coisas do tipo, cremos na ação de um Deus poderoso e soberano que dirige a nossa vida, como um bordado que se visto de baixo o que se enxerga são fios, mas se olhado de cima se verifica que há uma bela obra de arte, assim é o Senhor conosco, no meio de fios desconexos aos olhos humanos, Ele está fazendo um grande bordado na nossa vida.

C. Resulta na benção para quem se aproxima do seu povo: A vontade de Deus não traz satisfação apenas para nós, quem está perto também é abençoado, na vida de José Potifar foi abençoado (Gn 39.4-6), quando foi para a prisão, o copeiro – chefe foi abençoado, tenho seu  sonho interpretado e o cumprimento realizado (Gn 40.1-23), o próprio Faraó foi abençoado e em consequência toda a nação que se livrou da destruição pela fome por causa da interpretação dos sonhos de José (Gn 41.1-36). Daniel e seus companheiros Sadraque, mesaque e Abedenego influenciaram a Babilônia com os seus exemplos, quando o rei lançou os três jovens na fornalha precisou reconhecer que o poder do Deus deles (Dn 3.1-30), quando Daniel foi lançado na cova dos leões o rei teve que reconhecer que o Deus daquele jovem era o Deus eterno que livra, salva e faz maravilhas (Dn 6.1-28). Os apóstolos Pedro e João quando iam ao templo encontraram um mendigo que ia ao templo, ele queria esmolas, mas eles não tinham dinheiro, porém, possuíam uma coisa que ele não tinha, a autoridade do nome de Jesus, por esta autoridade eles o curaram (At 3.1-10). Se Deus tem colocado pessoas ao teu lado é apara que você seja uma benção para elas. Sê tu uma benção!

Concluindo, Gostaríamos de dizer que esta mensagem tratou sobre a vontade de Deus para nós, trabalhamos o assunto da seguinte forma: Primeira, A fonte de Conhecimento da vontade de Deus: Conhecemos a vontade de Deus pelas Escrituras Sagradas, por meio de uma vida de oração, pelas circunstancias experimentadas. Segunda, as Características da vontade de Deus: Ela é boa, perfeita e agradável, mais alta do que a nossa mente possa compreender e tem em Jesus o seu fiel cumprimento. Terceira, o Resultado da vontade de Deus: A vontade de Deus para o seu povo resulta em salvação, no bem e na benção para quem está próximo do seu povo.  Você já experimentou a vontade de Deus para a sua vida, saiba que o que Deus quer para você é uma vida de santidade, longe do pecado. Busque se aproximar de Deus e a vontade Dele para você será deleitada por você!

Autor: Missº Veronilton Paz da Silva


segunda-feira, 27 de novembro de 2017

Sempre mudando?

A expressão semper reformanda tem sido traduzida de modo a significar “sempre mudando” e deturpada no interesse da mudança pela mudança. Para muitos, significa que tudo — desde o que acreditamos, o modo como nos comportamos em uma cultura que muda rapidamente, até à maneira como “organizamos a igreja” — está sujeito à revisão e reinvenção em cada geração. A expressão costumava ser usada por cristãos liberais para justificar a adequação da mensagem aos tempos, mas agora os evangélicos argumentam que é essencial para a sobrevivência do Cristianismo que nos harmonizemos com a cultura mutável se quisermos salvar a igreja da extinção.
Temos observado essa ideia ganhar força nas últimas décadas. Os líderes e membros da igreja estimulam a “mudança” como um sinal de “integridade” ou um elemento essencial para serem “relevantes” na geração atual. Há apelos para novas formas, métodos e estruturas para a igreja. A maioria dos chamados à inovação são impulsionados pela cultura sem Deus ao nosso redor e por nossos corações rebeldes em nosso interior. Queremos modificar a mensagem para atrair a sociedade; desejamos tornar a igreja mais “amigável” aos de fora, em vez de vê-la como a assembleia solene do povo da aliança de Deus.
Vemos esse espírito atuando na revisão das principais doutrinas bíblicas. Vozes imperativas desejam que reinterpretemos o ensino básico para acomodar a hegemonia da teoria da evolução. O abandono de um Adão histórico (ou, onde isso é admitido, a negação de que Adão foi o primeiro homem) é impulsionado por pessoas no banco que enfrentam diariamente os incômodos desafios dos seus colegas e vizinhos não-cristãos.
Esse clamor por mudança está por trás do redesenho dos limites do discipulado cristão. Quer se trate de encorajar um “discipulado secreto ou silencioso” entre os convertidos do Islã, a aceitação de novas definições de casamento para apaziguar o espírito da época, ou a tolerância de estilos de vida abertamente pecaminosos com a intenção de não julgar, observamos que o discipulado está sucumbindo à pressão externa sobre a igreja.
Isso também afetou o uso da palavra adoração. Em alguns contextos, ela é aplicada apenas à música — seja da variedade clássica ou contemporânea — e criou com ela um novo ofício na igreja: o “líder de adoração”. Outros querem deixar a palavra adoração completamente, argumentando que a adoração se aplica à “toda a vida” e não às assembleias do povo de Deus. Assim, o Dia do Senhor é como qualquer outro dia; a liturgia é substituída por “eventos de convivência”; os sermões tornam-se “conversas bíblicas”; e a ênfase das “reuniões” de domingo torna-se comunhão ou evangelização ao invés de uma assembleia pactual e adoração corporativa.
Essas inovações são contrárias ao exemplo dos reformadores, que negaram que fossem mutantes que estavam interessados ​​na mudança pela mudança em si. No sentido estrito, eles estavam estimulando um retorno à radix, à “raiz” do Cristianismo bíblico. Eles foram acusados por seus oponentes ​​de promover a mudança, mas a sua defesa foi que, na verdade, eles queriam conduzir a igreja de volta à Palavra de Deus. Eles imaginaram a reforma não como “fazermos mudanças” (ativo), mas como o “sermos transformados” (passivo). Em outras palavras, quando falamos sobre a reforma, pensamos no Senhor que nos reforma e na Escritura que é o seu meio de reforma.
O que acontece quando aplicamos a Escritura e nossas confissões à questão da adoração? O Novo Testamento retoma a linguagem do Antigo Testamento ao chamar a assembleia de povo de Deus. Os cristãos primitivos se reuniam no dia do Senhor com o povo do Senhor para ouvir a sua Palavra e oferecer orações. Pedro descreve como chegamos a Deus quando nos reunimos como pedras vivas em um templo — Deus está presente de uma maneira especial onde o seu povo se encontra. O culto público com a sua proclamação da Palavra é para Deus e para o seu povo da aliança e faz esses últimos serem edificados na mais santa fé (1 Coríntios 14). Os incrédulos podem estar presentes e estar sob convicção ao verem a obra da Palavra na vida dos santos.
Desde os primeiros dias, os cristãos cantavam bem como oravam. O Antigo Testamento até mesmo incentiva o povo de Deus a usar instrumentos na adoração (Salmos 33.2-3). Instrumentos de todos os tipos certamente contribuem para o canto cristão, e a música é um dom singular e belo de Deus. No entanto, o uso de instrumentos pode ter um impacto negativo, às vezes: eles podem manipular erroneamente as emoções das pessoas, podem se sobressair aos louvores do povo de Deus reunido, ou podem inibir a participação congregacional na adoração. A experiência musical em si pode ser adorada como um ídolo. Assim, devemos ter cuidado para não fazer uso do que é digno, auxiliar e útil — a música — e torná-la absoluta. Devemos ter cuidado para que a música não ocupe o lugar de Deus em nossa adoração.
Esses exemplos ilustram a necessidade de estarmos constantemente perguntando se as tradições herdadas ou práticas novas são bíblicas. Precisamos considerar se nossas práticas estão ajudando ou inibindo a nossa adoração a Deus. Onde nossas práticas contribuem com algo, precisamos ter cuidado para não as considerarmos em demasia e assim sacrificarmos os meios de graça ordinários: a Palavra, a oração e os sacramentos.

Dados Sobre o Autor: Dr. William W. Goligher é ministro sênior na Tenth Presbyterian Church em Filadélfia, Pensilvânia. Ele é autor de The Jesus Gospel e Joseph: The Hidden Hand of God.

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

REFLEXÃO BÍBLICA (JOÃO 4.46-54)

A cura do filho de um oficial

Rev. Romildo Lima de Freitas

Esse milagre, registrado em João 4.46-54, e também o descrito no capítulo 2, ocorreram em Caná da Galileia. Algum tempo já havia passado desde que Jesus transformara água em vinho. Ambos foram realizados em particular, sem multidão vendo o acontecimento, num contexto familiar. O de Caná foi de alegria (casamento) e o de Cafarnaum de tristeza (enfermidade).

O texto nos apresenta os seguintes personagens envolvidos no milagre: Jesus, o pai ansioso, o filho moribundo, testemunhas, a família e os servos do oficial.

Jesus dirigiu-se, de novo, a Caná da Galileia, que era a cidade natal de Natanael, um de seus discípulos (Jo 21.2), onde é provável que tenham passado a noite. Esse era um lugar já marcado por um grande milagre dele, quando a água foi feita em vinho, seu primeiro sinal milagroso (Jo 2.11). João também nos diz que outro motivo para eles receberem Jesus com boas-vindas foi porque viram tudo o que Ele havia feito na festa da Páscoa.

O texto menciona um oficial do rei, servidor de Herodes Antipas, tetrarca da Galileia e de Pereia e transmite a ideia de figura eminente, de grande importância, figura ilustre da corte. Não era qualquer um, mas um nobre que tinha livre acesso ao rei.

Alguns teólogos acreditam que esse homem fosse CUZA, cuja esposa era JOANA. Pelo fato de Jesus ter curado seu filho, ambos, passaram a servi-lo com bens, dando-lhe todo apoio e infraestrutura necessários ao crescimento do Seu ministério. Veja o texto de Lucas 8.3: “E Joana, mulher de Cuza, procurador de Herodes, e Suzana, e muitas outras que o serviam com seus bens”.

A cidade de Cafarnaum foi construída de forma octogonal, dividida por uma importante estrada comercial que liga o Egito e a Síria a Damasco. Quero destacar alguns pontos sobre Cafarnaum:

Ficava ao lado do famoso Lago da Galileia, região pesqueira. Ocupava os confins territoriais de Naftali e Zebulom (Mt 4.13). Cafarnaum vem do hebraico “Kfar” + “Nachum”, ou seja, “Aldeia (Cidade ou Vila) de Naum” ou “Cidade de Consolo”.

Na Cidade havia Coletoria de Impostos – Era onde Mateus trabalhava.

Havia uma Sinagoga – Construída pelo Centurião citado em Mateus 8.5-13.

Havia uma Centúria – O centurião residia ali e comandava pelo menos 100 soldados romanos. Segundo estudiosos, a cidade não tinha mais do que 1.000 habitantes. A ONU diz que o número ideal de policiais é de 1 para cada 250 habitantes.

Jesus realizou vários milagres de cura em Cafarnaum. Por ex.: Mt 8.5-17 – do criado do centurião; Mt 9.1-8 – de um paralítico; Mt 9.27-31 – de dois cegos; Mt 12.9 – do homem da mão ressequida; Mc 1.21-28 – de um endemoninhado; Jo 4.46-54 – do filho de um oficial; Mt 8.14-15 – da sogra de Pedro. E mais o milagre da moeda no ventre do peixe (Mt 17.24-27).

Quero fazer algumas aplicações, com base em João 4.46-54:

1 – Esse homem foi em busca de cura e não de salvação – v.47 – O oficial estava ansioso pela cura física do filho, pois ouvira que Jesus estava na região. Sua fé baseava-se, de início, inteiramente no relato de terceiros. Ele morava lá em baixo e o assunto que corria era que um profeta, operador de maravilhas, aquele que tinha transformado água em vinho, estava novamente em Caná. Ele nuca vira Jesus, mas acreditava no relatório dos outros. Observe o final do v. 47: “… para curar seu filho”. Ele não percebia a necessidade do próprio coração, a cegueira espiritual em que vivia. Seu desejo era a cura do filho moribundo.

2 – O poder de Jesus está acima do tempo e do espaço – A fé do oficial era tão fraca que restringia o poder de Jesus à Sua presença local. Por isso, sua oração era: Tempo: “Senhor, vem, antes que meu filho morra!” Espaço: Cafarnaum.

3 – A fé que é exercitada cresce e se espalha – v. 53 – Sua fé não só amadureceu: ela foi refletida em toda sua casa. Todos creram em Jesus e foram alcançados pela Sua graça salvadora.

Querido irmão, busque sempre a solução de suas necessidades em Jesus. Procure vencer os obstáculos do caminho. Em nossa vida o que não falta são obstáculos. Vença os impedimentos, supra as barreiras e obedeça às palavras de Jesus. O oficial recebeu dele estas: “Vai para casa. Teu filho vive”. Ele creu e a vitória chegou ao seu lar.

Que o Eterno se compadeça de você, de todos os seus e derrame as bênçãos de que você precisa.

Com carinho.

 Rev. Romildo Lima de Freitas