quarta-feira, 6 de junho de 2012

O Presbitero e Missionário Veronilton Paz da Silva Apresenta Resenha na UEPB sobre Livro da Linguista Roxane Rojo e Fica com Nota 9,5

Veja o Conteúdo da Resenha Abaixo:
  
Universidade Estadual da Paraíba
  Campus VI – Poeta Pinto de Monteiro
Curso de Licenciatura Plena de Letras – Língua Portuguesa
Disciplina: Prática Pedagógica II
Professor: Paulo Vinicius
Aluno: Veronilton Paz da Silva
     
ROJO, Roxane. Letramentos Múltiplos, escola e inclusão social. São Paulo: Parábola Editorial, 2009.
          Este trabalho é baseado na obra Letramentos múltiplos, escola e inclusão social de Roxane Rojo, doutora em lingüística aplicada ao ensino de línguas pela PUC – SP, professora do curso de letras e do programa de pós – graduação em lingüística aplicada do IEL/UNICAMP, onde é chefe do departamento de lingüística aplicada (DLA), fez pós – doutoramento na Universidade de Genebra, na Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação, setor de Didática de Línguas. Tem se dedicado às questões de política da educação lingüística, por meio de pesquisas, assessorias, consultorias e projetos desenvolvidos junto a entidades políticas e privadas, nos âmbitos municipal, estadual e federal. Atualmente participa da avaliação do livro didático de língua portuguesa do PNLD, como coordenadora dos trabalhos da equipe paulista de avaliação. É organizadora dos volumes Alfabetização e letramento: Perspectivas lingüísticas; A prática de linguagem em sala de aula: Praticando os PCNs; Livro didático de língua portuguesa: Letramento e cultura da escrita; ajudou na tradução do livro Gêneros orais e escritos na escola, pesquisadora e colaboradora do CNPq.
          A obra é dividida em seis capítulos e mais outros pontos, ordenados da seguinte forma: I - O insucesso escolar no Brasil do século XX – Um processo de exclusão social; II - Letramento escolar, resultados e problemas – O insucesso escolar no Brasil do Século XXI; III - Letramentos da população brasileira – Alfabetismo funcional, níveis de alfabetismos e letramentos; IV - Alfabetização – O domínio das relações entre os sons da fala e as letras da escrita; V - Alfabetismos - Desenvolvimento de competências de leitura e escrita; VI - Letramentos – Práticas de letramentos em diferentes contextos; referências bibliográficas e anexos.
         Aqui trataremos a partir do segundo capítulo que traz dados recentes no Brasil sobre capacidades de leitura, escrita e letramentos escolares mostrando que alunos são avaliados por órgãos nacionais e internacionais de avaliação (PISA, ENEM, SAEB), expõe que a população conquistou o acesso ao ensino, ainda não conquistou, entretanto, a escolaridade de longa duração, isso alude ao fracasso e exclusão escolar traduzido em reprovação, evasão, e parcos resultados de aprendizagem, conhecimento e letramentos que o ensino em geral tem alcançado no Brasil, faz um questionamento critico construtivo para levar-nos a refletir sobre o porquê de alunos com uma longa escolaridade e desenvolver capacidades leitoras tão limitadas. De quem seria a culpa? Onde estaria o erro? Encerra com uma atividade de análise de capacidades leitoras de alunos de ensino médio a partir dos descritores de desempenho.   
          No terceiro capítulo a autora leva questiona o leitor sobre os letramentos que os brasileiros apresentam dentro e fora da escola. Como a escola poderia ampliar estes conhecimentos? Leva o leitor a conhecer eventos e praticas de letramentos, experimentar e refletir sobre conceitos de alfabetização, alfabetismo, alfabetismo funcional, letramento, como atualizar-se em relação aos índices recentes de alfabetismo funcional e letramentos da população brasileira em geral; o acesso aos impressos está mais democratizado e a população possui acesso a outros letramentos que não se aprende necessariamente na escola, apresenta ainda implicações para escola: A escola da forma como popularizou os impressos, deve se preocupar com acesso a outros espaços valorizados de cultura como museus, bibliotecas, teatros, espetáculos e outras mídias como do tipo analógicas e digitais; deve rever suas praticas de letramentos, uma vez que os resultados tanto escolares como alfabetismo da população são elitizados e insuficientes para a grande maioria da população, apresenta que a escola como agencia cosmopolita deve estabelecer a permeabilidade entre as culturas e letramentos locais/globais dos alunos e a cultura valorizada como um possível caminho para a superação do insucesso escolar e da exclusão, apresenta atividades para identificar eventos e praticas de letramentos.    
          No quarto capitulo retoma alguns aspectos dos capítulos anteriores como no primeiro sobre o acentuado fracasso escolar dos meios populares nos últimos séculos; no terceiro sobre o conceito de alfabetização e o que ela leva o aluno a fazer, ou seja, conhecer o alfabeto, mecânica da leitura/escrita e ser alfabetizado. O leitor aprenderá um pouco sobre a história da escrita alfabética desde a época das cavernas, passando por fenícios, gregos, latinos e aramaicos, árabes e indianos. Fala sobre os conceitos de as letras e suas regularidades que Moraes chama de: Regulares contextualizadas, definido no contexto da palavra ou da sílaba em que ocorrem como rr, ss, m antes de p e b; regulares morfológico – gramaticais, definidas por aspectos ligados a morfologia, não envolve fonemas, mas morfemas. Apresenta que alfabetização se comparado ao alfabetismo se resume na construção do conhecimento  sobre os sons e as letras, mas não é tão simples assim e exige longo trabalho de construção por parte dos alunos e de ensino pelos professores, por isso muitas obras foram criadas sobre  o melhor método de ensino da alfabetização, antes no Brasil pensava-se que tratava-se apenas de associação de uma letra a um som,  a criança já tendo esta habilidade já podia grafar, isto fez a escola ensinar do mais simples ao mais complexo, obtendo resultados equivocados, tardios e artificiais. Traz exercícios sobre a analise do texto da criança em termos de ortografização. 
          No quinto capitulo Rojo trata mais profundamente sobre os níveis de alfabetismo e o diferencia de letramento, faz uma discussão das competências e habilidades de leitura, em seguida de escrita. Relata que ler na segunda metade do século XX era visto como decodificação, mas através das pesquisas e estudos verificou-se num primeiro momento que não seria só decodificação, mas cognição, compreensão de mundo, práticas sociais e conhecimentos lingüísticos, posteriormente passou-se a ver o ato de ler como uma interação entre o leitor e o autor, ainda tratou sobre as capacidades de compreensão que são: Ativação de conhecimentos de mundo prévios à leitura ou durante o ato de ler; antecipação ou predição de conteúdos ou de propriedades dos textos, por hipóteses levantadas pelo leitor sobre o conteúdo do trecho seguinte; checagem de hipóteses ao longo da leitura, confirmando ou desconfirmando-as; localização ou retomada de informações na leitura em outras fontes; comparação de informações ao longo da leitura do texto ou de outros textos; generalização, síntese resultante da leitura realizada; produção de inferências locais em lugar de palavras desconhecidas; produção de inferências globais, a leitura pode ir além do texto. Critica a leitura escolar que segundo ela parece ter parado no início da segunda metade do século passado, ainda critica os equívocos das praticas de leitura adquiridas e definidas como dom, texto literário como modelo padrão, desenvolver temas como o foco principal, o aluno deve ser guiado e não incitado, avaliação com correção gramatical, regras ou rotinas pré – dadas. A autora informou ainda que as matérias retórica, poética e gramática fundiram-se na disciplina português, que a profissão de professor antes era elitizada, mas começou a desprestigiar-se e perder autonomia, ainda trata que a  formação do aluno tem como alvo principal a aquisição de competências e habilidades, preparação cientifica  e capacidade para utilizar tecnologias. Este capítulo ainda apresenta exercícios para verificar capacidades de leituras e produção de texto.  
          No último capítulo ela fala retoma autores como Soares, Kleiman citando do primeiro que letramento envolve habilidades individuais e práticas sociais ligadas à leitura e escrita dos indivíduos em seus contextos sociais e da segunda fala dos diversos agentes de letramento fora a escola, como igreja, família, rua, local de trabalho que apresentam letramentos diferentes. Ainda apresenta tipos de letramentos como leitura em sala de aula, frase de vendedor de balas lido pelos compradores, uso de caixa eletrônico para retirar dinheiro ou comprar, toques e frases ditas em terreiro de umbanda que vira projeto de pesquisa acadêmica, retoma mais uma vez Kleiman para dizer que o conceito de letramento nos meios acadêmicos visavam destacar as competências individuais no uso e prática da escrita, ainda trouxe à baila que o termo alfabetismo funcional foi criado nos Estados Unidos e passou a ser utilizado para designar  a capacidade de leitura e escrita para fins pragmáticos em contextos próprios em contraposição a concepção tradicional acadêmica. Para a autora o letramento busca recobrir os usos e praticas sociais de linguagem que envolvem a escrita de uma ou outra maneira sejam valorizados ou não, locais ou globais em contextos diversos como: Família, igreja, mídias, numa perpectiva sociológica, antropológica ou sociocultural. Traz os novos estudos de letramento voltados em especial para os letramentos locais ou vernaculares, não valorizadas ou pouco investigadas. Além disso o mundo está em transformação e os letramentos precisam acompanhar, por outro lado a escola, em especial, a pública mudou com o ingresso de alunos e professorado das classes populares nas escolas públicas criando um conflito entre práticas letradas valorizadas e não valorizadas, traz ainda gráficos apresentando as culturas locais, escolares e valorizadas. Apresenta atividades com sobre letramentos dominantes e dominados e outra sobre um samba enredo sobre a cultura regional do Brasil.
          Esta obra é excelente, pois a escola brasileira está necessitando romper com vários preconceitos com relação a letramento, alfabetização e afins, incitando o aluno a ter saberes diversos e acesso a vários métodos que não estão necessariamente na escola, mas que fazem parte do cotidiano dos alunos e podem muito bem ser usados pela escola para melhorar seus conteúdos nestes assuntos tratados nesta obra.
          Esta obra é indicada para todos os professores de língua portuguesa do Ensino Fundamental e Médio da rede estadual e municipal de Monteiro-PB, bem como alunos de pedagogia e letras da UEPB, ainda para cientistas da linguagem e todo aquele que pretenda transmitir conhecimentos nas áreas de letras e afins.
        Resenhado por Veronilton Paz da Silva, bacharel em Telogia pelo ITG, aluno do 3° Período de Licenciatura em Letras – Língua Portuguesa na Universidade Estadual da Paraíba (UEPB).    

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